segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Ao Chile numa moto - 11º dia

Chegamos em La Serena ainda cedo. O trajeto foi curto, a paisagem de deserto começou a mudar e a vegetação foi aparecendo mais densa. O verde foi substituindo o bege, os ventos continuaram.
Buscamos pela orla da cidade e paramos as motos para começar a jornada de busca por hotéis. Havia uma convenção naquele dia e vários hotéis estavam ou cheios ou com os preços nas alturas. Enquanto eu estava pulando de hotel em hotel, os que estavam cuidando das motos foram abordados por um rapaz, oferecendo cabanas para pernoite.

Decidimos ver essa cabana e gostamos. Era diferente de todos os lugares onde pernoitamos até agora. Não havia desayuno, mas era espaçosa e aconchegante, e perto do mar. Ficamos por lá mesmo. Estacionamos as motos, arrumamos as bagagens e corremos para a orla, na esperança de poder enfim entrar de cabeça no Pacífico e ver o tão esperado por do sol no mar.

Cabana com sistema de massagem natural.

A praia era diferente, quase não havia areia, mas sim conchas, várias conchas. O mar estava calmo e ninguém se banhando, apenas alguns surfistas, o que me encorajou a entrar. Fui o único.

Mais conchas que areia.


Nublado, mas com clima bom.

Curiosamente, o mar aqui é menos salgado que o do Brasil. E a água não é tão fria quanto eu esperava. Foi um bom banho, merecido.

Missão cumprida.

Ainda tínhamos tempo até o pôr do sol, então fomos andar mais um pouco pela orla, buscando um lugar para comer. La Serena é grande, não conseguiríamos rodar por toda a orla, então decidimos voltar para um local mais perto da cabana e esperar pelo por do sol num restaurante lá perto, na orla mesmo.

Aguardando o mergulho.

Foi a primeira vez que comi carne de carneiro, já que as únicas opções eram o carneiro ou porco. Vamos de carneiro então. Do restaurante tínhamos uma bela vista do mar e do Sol, que descia quase livre das nuvens. O paredão continuava lá, mas dessa vez havia uma pequena brecha, onde talvez conseguíssemos ver pelo menos parte do sol mergulhando.

Foi por pouco, mas vimos.

Depois do espetáculo, nos despedimos do mar e voltamos para a cabana, com uma latinha de café solúvel e algumas galetitas para o café da manhã no dia seguinte.

Tomamos banho e quando nos preparávamos para dormi, sentimos algo estranho, parecia vir do mar, e logo em seguida tudo começou a tremer. Nosso primeiro tremor de verdade, já que o de Antofagasta foi na madrugada e eu achei que estava apenas passando mal.

A garrafa de água que compramos caiu da mesa, os capacetes que estavam amontoados se separaram aos poucos e quase cairam também. Todos ficamos assustados naquele momento. Mas logo passou e a euforia apareceu. Eu adorei ter sentido aquele tremor. Afinal, essa viagem era exatamente para isso, ter experiências que não temos no Brasil.

Susto passado, tiramos as coisas de lugares altos, e voltamos a dormir. Mas la veio aquela sensação estranha vindo do mar outra vez. Dessa vez mais forte e mais demorado. Só que agora estávamos “preparados”. Em vez de susto, eu senti ainda mais euforia. Já estávamos na cama quando o segundo tremor apareceu, e mesmo depois dele ter terminado, a cama continuou a chacoalhar. Mas dormimos.

Na madrugada ainda ocorreu um outro tremor, mas dessa vez não acordei. O cansaço havia tomado conta.


Acordamos, preparamos o café, prendemos os baús nas motos e seguimos para nossa ultima cidade no Chile, a capital Santiago.

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